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Expansão do mercado de data centers no Brasil é oportunidade para protagonismo da indústria do Cobre

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Por Walter Sanches*

O
Brasil ocupa uma posição privilegiada no que se refere à expansão global dos
data centers. Atualmente, o país é o 12º com maior volume de estruturas no
mundo, segundo dados do Data Center Map, e será um dos principais destinos de
investimentos, que deverão somar cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco
anos, de acordo com relatório da agência de classificação de risco Moody’s.
Esse processo exigirá performance dos sistemas de geração e transmissão de
energia e, nesse cenário, a indústria do Cobre se
torna um importante player para assegurar a estabilidade dos sistemas.

Os
investimentos crescentes em data centers estão cada vez mais impulsionados pelo
avanço acelerado da inteligência artificial, que demanda volumes massivos de
processamento e armazenamento de dados. Diferentemente das aplicações
tradicionais, os modelos de IA, especialmente os mais avançados, exigem
infraestrutura computacional de alta performance, com grande densidade de
processamento, elevado consumo energético e sistemas sofisticados de resfriamento.

Nesse
contexto, a computação em nuvem ganha ainda mais relevância ao permitir
escalabilidade rápida e flexível, viabilizando o treinamento e a operação
desses modelos sem a necessidade de grandes aportes iniciais em Despesas de
Capital (CAPEX). Dessa maneira, o crescimento da IA se torna o principal vetor
de expansão e transformação dos data centers modernos.

Do
ponto de vista estrutural, esse movimento requer espaço físico amplo,
infraestrutura elétrica englobando quadros, painéis e subestações elétricas, em
que o Cobre é utilizado em fios e barramentos, além de sistemas de refrigeração
e controles de segurança física e digital. Considerando esses fatores, as
empresas que atuam em algum desses ecossistemas já vêm atendendo exigências
técnicas mais complexas para o funcionamento desse tipo de sistema.

Indústria
do Cobre no contexto de data centers

As
principais características do Cobre, como elevada condutividade, troca térmica,
alta resistência e durabilidade, fazem com que o metal seja o preferido para a
fabricação de data centers. Ele é utilizado nas hastes de aterramento,
condutores, quadros elétricos, fios, cabos, barramentos e conectores elétricos.
O material também está presente nos sistemas de refrigeração, no formato de
tubos, em trocadores de calor e componentes do sistema, além de ser ideal para
suportar as altas cargas de trabalho dessa estrutura.

Este
movimento de expansão do mercado exige uma adaptação da indústria do Cobre à
maior demanda por materiais. Nesse sentido, gestores do setor vêm enfrentando
custos logísticos elevados, carga tributária complexa e concorrência com
produtos importados, principalmente os asiáticos, o que impacta diretamente a
competitividade da produção nacional. No entanto, o cenário também apresenta
oportunidades para as empresas, já que as estruturas de energia consomem um
volume elevado do metal.

Países
produtores de Cobre, como o Brasil, levam vantagem na corrida pela atração de
data centers, pois, em via de regra, apresentam uma indústria de transformação
capaz de atender demandas mais complexas com alto rigor técnico, o que pode
gerar alternativas a produtos importados e abrir espaço para projetos mais
rentáveis, com entregas antecipadas e personalizadas. Fatores como maturidade
de mercado, consumo, segurança, disponibilidade de incentivos fiscais e a própria
viabilidade econômica e financeira do projeto também impactam no direcionamento
de investimentos para esta proposta.

Impacto
na disponibilidade do metal

Uma
das preocupações que o aumento dos data centers suscita é referente ao impacto
na disponibilidade do Cobre. A curto e médio prazos, a expansão não deve
acarretar a escassez local ou global do material, mas deverá pressionar os
preços e limitar estoques com o aumento na demanda.

Porém,
a S&P Global estima que, até 2040, setores de Inteligência Artificial, que
abrange os centros de dados, e de defesa deverão ampliar a demanda global de
Cobre em 50%, criando um cenário de déficit de 10 milhões de toneladas por ano,
caso não haja reciclagem, mineração ou outras fontes de suprimento para a
reposição do produto.

No
contexto da economia circular, o cobre destaca-se por sua alta reciclabilidade
e pelo seu elevado valor agregado. Sua capacidade de ser recuperado, processado
e reinserido na cadeia produtiva reforça sua relevância como material
estratégico para iniciativas de reaproveitamento e uso mais eficiente de
recursos.

Futuro
dos data centers no Brasil

Um
estudo da Lenovo
aponta que o data center do futuro será definido pela eficácia com a qual a
estrutura pode escalar para IA, bem como o cumprimento de metas de
sustentabilidade e a operação com a máxima eficiência energética.

A
partir disso, ligas especiais supercondutoras para minimizar perdas
energéticas, refrigeração híbrida e hyperscales para maior capacidade de
processamento estarão mais presentes nesta estrutura, indicativos de que o
Cobre continuará sendo um material relevante para o desenvolvimento do
segmento.

O
número de instalações de data centers no Brasil nos próximos anos aumentará
exponencialmente das 195 atuais e, nesse cenário, também se espera um
crescimento diretamente proporcional da produção e transformação do Cobre para
atender a nova demanda, de maneira a proporcionar alta performance e
estabilidade operacional à infraestrutura.

Essa
é uma oportunidade para que a indústria brasileira ganhe espaço nesse mercado e
assuma um papel cada vez mais protagonista e estratégico no fornecimento não
somente do Cobre, mas de seus subprodutos para o segmento, ampliando a competitividade
da produção nacional frente às importações.

(*) Walter Sanches é Diretor de Tecnologia da
Informação e Planejamento da
Termomecanica,
empresa líder na transformação de Cobre e suas ligas.

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