Inteligência Artificial

Após a IA generativa, empresas entram na era da autonomia operacional. O Brasil está preparado?

Share
Divulgação
Divulgação
Share

A inteligência artificial está entrando em uma nova
etapa no ambiente corporativo. Depois de impulsionar ganhos de produtividade e
automatizar tarefas, a tecnologia passa a assumir um papel mais estratégico,
com agentes inteligentes capazes de executar processos, apoiar decisões e atuar
de forma integrada aos sistemas de gestão.

Essa evolução foi um dos principais temas do SAP
Sapphire, evento global da SAP, que apresentou o conceito de Empresa Autônoma
(Autonomous Enterprise). A proposta prevê organizações em que inteligência
artificial, automação e dados trabalham de forma integrada para ampliar a
eficiência operacional e apoiar decisões em tempo real.

O movimento acompanha o avanço acelerado da IA nas
empresas. Segundo a Gartner, mais de 80% das organizações devem utilizar
aplicações ou APIs de inteligência artificial generativa até o fim de 2026. A
discussão, portanto, deixa de se concentrar apenas na adoção da tecnologia e
passa a considerar como transformá-la em resultados concretos para o negócio.

Para Marcelo Moreira, ERP Service Line Director da
EPI-USE Brasil, consultoria especializada em soluções SAP e transformação
digital, esse é o principal desafio das organizações brasileiras.

“Embora já possamos perceber o avanço da
adoção da inteligência artificial, a maturidade das empresas ainda é limitada.
Estudos indicam que apenas cerca de 30% a 35% das organizações conseguiram
escalar iniciativas de IA para a operação em larga escala. A maioria ainda está
na fase de pilotos ou projetos isolados, buscando transformar investimentos em
ganhos consistentes de eficiência operacional. Entre nossos clientes SAP de
ERP, cerca de 80% já avaliam casos de uso de IA para ganho operacional,
enquanto apenas 20% possuem uma arquitetura de dados considerada preparada para
uma operação autônoma”, explica.

Segundo o executivo, esse cenário reflete uma
mudança importante na forma como as empresas enxergam a tecnologia.

“Nos últimos anos, a discussão esteve
concentrada na adoção da inteligência artificial e em seus ganhos de produtividade.
Agora, ela passa a fazer parte da operação das empresas. Isso exige uma base
sólida de informações, processos integrados e governança.”

Apesar dos avanços na digitalização, muitas
organizações ainda convivem com sistemas pouco integrados e informações
dispersas, o que dificulta a adoção de agentes inteligentes em larga escala.

“A autonomia operacional depende de dados
confiáveis e plataformas conectadas. Antes de ampliar o uso da inteligência
artificial, é preciso garantir que a empresa tenha uma estrutura preparada para
sustentar esse novo modelo.”

Além dos desafios tecnológicos, as empresas também
precisarão desenvolver novas competências. A utilização crescente de sistemas
inteligentes exigirá que gestores de diferentes áreas compreendam como incorporar
essas ferramentas às decisões de negócio e às rotinas operacionais.

Nesse contexto, os sistemas de gestão empresarial
assumem um papel ainda mais relevante. Tradicionalmente responsáveis por
integrar as informações da organização, os ERPs passam a concentrar os dados
que alimentam agentes inteligentes e sustentam processos automatizados.

“O ERP deixa de ser apenas um sistema de
gestão para se tornar a base sobre a qual a inteligência artificial opera.
Quanto maior a integração entre dados e processos, maior será a capacidade da
empresa de utilizar IA com segurança, escala e consistência”, explica
Moreira.

Embora desafios relacionados à integração de
sistemas, à qualidade das informações e à governança ainda façam parte da
realidade de muitas organizações, setores como indústria, agronegócio, energia,
varejo e serviços financeiros já começam a incorporar agentes inteligentes em
processos estratégicos.

Para Marcelo, a inteligência artificial deixa de
ser uma iniciativa isolada para ocupar uma posição cada vez mais estratégica
dentro das organizações.

“Até pouco tempo, a principal pergunta era
como começar a utilizar inteligência artificial. Agora, o desafio é preparar a
organização para que essa tecnologia faça parte da operação de forma
consistente, segura e alinhada aos objetivos do negócio”, conclui o
executivo.

Share
Artigos Relacionados
Divulgação
Inteligência Artificial

IDC MarketScape reconhece TeamViewer como líder global em DEX

A TeamViewer anuncia ter sido destacada como Líder no IDC MarketScape: Avaliação...

Divulgação
Inteligência Artificial

Como uma rede de franquias está transformando a IA em uma área estratégica do negócio

Rahra estrutura departamento exclusivo para desenvolver soluções próprias, automatizar processos e apoiar...

Divulgação
Inteligência Artificial

BDM 2026 debate o que torna marcas e profissionais irreplicáveis na era da inteligência artificial

Organizado pelo InfoBranding e co-produzido pela midiaria.com, o evento reúne especialistas para...

Divulgação
Inteligência Artificial

A inteligência artificial está uniformizando as marcas?

A popularização da IA acelerou a produção de conteúdo, mas também fez...