IA agentica: empresas começam a transferir tarefas e processos inteiros para inteligência artificial
Magnific

Número
de agentes no ecossistema Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano e mostra
avanço da tecnologia sobre fluxos completos de trabalho

A
inteligência artificial está deixando de servir só para tarefas pontuais e começa
a assumir atividades cada vez mais amplas dos processos empresariais. Um dos
sinais dessa virada aparece no Work Trend Index 2026, da Microsoft: o número de
agentes ativos no ecossistema Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano e, entre
grandes empresas, 18 vezes.

O
levantamento ouviu 20 mil usuários de IA em 10 países e mostra que 66% deles
conseguem dedicar mais tempo a trabalhos de maior valor com o uso da
tecnologia. Uma análise de mais de 100 mil conversas no Microsoft 365 Copilot
apontou ainda que 49% das interações já envolvem atividades cognitivas, como
analisar informações, resolver problemas e pensar de forma criativa.

Os
números indicam uma mudança na forma como a IA entra nas empresas. Em vez de só
responder perguntas, redigir textos ou organizar informações sob comando de um
profissional, os agentes digitais passam a executar sequências de tarefas,
acompanhar processos e levar a uma pessoa apenas as etapas que exigem análise,
decisão ou aprovação.

“Estamos
saindo de uma lógica em que a inteligência artificial era acionada para
resolver uma demanda específica e entrando em um cenário em que ela passa a
fazer parte do fluxo de trabalho. A discussão agora é quais etapas podem ser
delegadas à tecnologia e em quais momentos a participação humana é
indispensável”, afirma Abraão Osher, CEO da DNAfy, empresa de tecnologia
especializada em infraestrutura de Inteligência Operacional Agentica.

A
mudança pede uma revisão dos próprios processos. Ao delegar etapas de uma
operação a agentes de IA, a empresa precisa definir quais informações poderão
ser acessadas, quais ações podem ser executadas de forma automática e quais
atividades será necessária a supervisão humana.

Na
prática, os efeitos já aparecem em operações tradicionais. A Belliótica, rede
de varejo óptico fundada em 1985 e com 11 unidades na Baixada Santista, passou
a usar a tecnologia nas áreas comercial, de gestão de produtos e de análise de
clientes.

A
empresa já tinha um sistema de gestão, mas parte dos dados das lojas ainda
precisava ser exportada para planilhas, consolidada e analisada manualmente.
Com a mudança, os relatórios comerciais passaram a reunir automaticamente
informações como ticket médio, descontos, quantidade de itens por orçamento e
desempenho de lojas e vendedores.

Os
dados de vendas também passaram a orientar a reposição de produtos e o
acompanhamento de campanhas, enquanto a base de clientes ganhou análises sobre
marcas, frequência de compra, lojas e comportamento de consumo.

“O
que mudou não foi só a forma de acessar os dados, mas a velocidade com que
conseguimos transformá-los em informação para a gestão. Antes, havia um
trabalho importante de consolidação e tratamento. Hoje, conseguimos direcionar
mais energia para entender os cenários e tomar decisões”, afirma Thainara
Ferreira, gerente da Belliótica.

O
caso ajuda a mostrar a diferença entre automatizar uma tarefa e delegar parte
de um processo. No primeiro modelo, a tecnologia permite fazer mais rápido algo
que já existia. No segundo, o próprio fluxo de trabalho é reorganizado para que
determinadas etapas sejam executadas pelo sistema.

Para
Osher, é nesse redesenho que mora uma das maiores oportunidades para as
empresas. “O ganho mais relevante não está apenas em fazer a mesma coisa
mais rápido. Quando os dados chegam organizados e as atividades repetitivas são
executadas automaticamente, as pessoas podem concentrar mais tempo na
interpretação, na estratégia e nas decisões que movimentam o negócio”,
diz.

A
autonomia dos agentes, porém, aumenta também a necessidade de governança. Os
sistemas conseguem organizar informações, identificar padrões, executar tarefas
e sugerir caminhos, mas objetivos, níveis de acesso, critérios de decisão e
pontos de supervisão continuam sendo definidos pela empresa.

“A
pergunta deixa de ser apenas ‘onde podemos colocar inteligência artificial?’ e
passa a ser ‘como queremos que o trabalho aconteça?’. O agente pode executar
uma parte importante do processo, mas estratégia, objetivos e responsabilidade
continuam sendo humanos”, afirma Osher.

O
avanço dos agentes digitais sugere que a próxima etapa da adoção de IA nas
empresas vai além da produtividade individual. A tecnologia começa a entrar na
própria estrutura da operação, e as organizações passam a decidir não só quais
ferramentas usar, mas quais processos podem ser delegados e quais decisões
precisam continuar nas mãos das pessoas.

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