Risco cibernético entra no radar macroeconômico e passa a redefinir a precificação de mercados
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O risco cibernético deixou de ser tratado como uma questão exclusivamente operacional e passou a integrar o conjunto de fatores que moldam a precificação de capital, crédito e seguro no mercado. A avaliação é da Lockton, uma das maiores corretoras de seguros independente do mundo, que acompanha a transição desse risco de um problema técnico pontual para uma variável estrutural da análise econômica e financeira das empresas.

Segundo a corretora, a expansão da economia digital ampliou a eficiência operacional das empresas, mas também aumentou a superfície exposta a ataques. Com sistemas cada vez mais interconectados, a disponibilidade e a integridade da informação se tornaram componentes críticos da geração de receita, o que faz com que incidentes cibernéticos, como violações de dados e ataques de ransomware, produzam efeitos financeiros diretos, incluindo interrupção de negócios e custos de resposta, além de introduzir volatilidade adicional nos fluxos de caixa das organizações.

De acordo com a Lockton, o mercado de seguros tem sido o primeiro setor a traduzir esse risco em preço. A subscrição de apólices de seguro cibernético passou por uma mudança, migrando de modelos baseados apenas em histórico de sinistros para avaliações fundamentadas na maturidade técnica de cada empresa. Controles como autenticação multifator, monitoramento contínuo e políticas robustas de backup se tornaram, na prática, condições mínimas para obtenção de cobertura, o que resultou em um mercado mais seletivo, com maior diferenciação entre empresas preparadas para prevenir e responder a incidentes e aquelas que ainda operam com fragilidade estrutural.

Empresas com menor maturidade em cibersegurança tendem a enfrentar maior custo de transferência de risco, mais restrições de cobertura e maior volatilidade de resultados, enquanto organizações com governança estruturada conseguem reduzir sua exposição e acessar condições mais favoráveis no mercado de seguros e de crédito.

“O risco cibernético saiu da sala de TI e chegou à mesa do conselho e do CFO. Empresas que conseguem mensurar e comunicar sua maturidade digital já acessam condições melhores de seguro, crédito e investimento”, afirma Maurício Bandeira, Professional and Executive Risk & Casualty da Lockton Brasil.

A adoção acelerada de inteligência artificial pelas empresas introduz, segundo a corretora, um novo vetor de risco a ser monitorado. As mesmas tecnologias capazes de automatizar processos e gerar eficiência também podem elevar a escala e a sofisticação de ataques cibernéticos, além de ampliar a exposição a vazamento e uso indevido de dados. A Lockton pondera que essa camada de risco ainda está apenas parcialmente refletida na precificação atual do mercado, mas tende a pressionar por novos ajustes nos próximos ciclos de subscrição.

Para a Lockton, o que emerge desse cenário é uma mudança estrutural: o risco cibernético deixa de ser um custo marginal e passa a integrar a base da análise econômica e financeira das empresas. Organizações capazes de mensurar, gerenciar e comunicar sua resiliência digital tendem a acessar melhores condições de seguro, crédito e investimento, enquanto aquelas que mantêm abordagens reativas enfrentam aumento de custo, restrição de cobertura e maior instabilidade operacional.

“A direção do mercado é clara: em uma economia cada vez mais baseada em dados, a gestão do risco digital se consolida como um dos principais determinantes de competitividade e acesso a capital”, completa Paulo Esteves Viveiro, CBO Head of Placement da Lockton Brasil.

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