“Por que a Polícia de São Paulo não quer usar câmeras corporais?”, questiona Alencar ao relacionar dados da violência no estado
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Deputado federal Alencar Santana Braga (PT) afirma que a redução no uso das câmeras corporais pela Polícia Militar compromete a transparência das ações policiais e cobra mudanças na política de segurança pública do Governo de São Paulo.

O deputado federal Alencar Santana Braga (PT) publicou uma análise sobre a política de segurança pública em São Paulo, relacionando dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública a casos recentes de mortes em ações policiais. Na publicação, o parlamentar questiona a redução da obrigatoriedade do uso contínuo das câmeras corporais por policiais militares e afirma que a medida compromete a transparência das operações.

Segundo os dados apresentados por Alencar, 835 pessoas morreram em intervenções da Polícia Militar de São Paulo em 2025, número que, de acordo com o parlamentar, representa uma em cada quatro mortes violentas registradas no estado.

O deputado também relembra que, em maio de 2025, o Supremo Tribunal Federal autorizou que as câmeras corporais deixassem de gravar de forma ininterrupta, mudança que, segundo ele, reduziu a capacidade de fiscalização das abordagens policiais.

Para sustentar sua crítica, Alencar cita casos de grande repercussão. Entre eles está o do entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, morto durante uma ação policial na Zona Leste da capital. Segundo a publicação, imagens de outro ângulo teriam contradito a versão apresentada inicialmente pelos agentes envolvidos.

O parlamentar também menciona os casos de Hildebrando Simão Neto, de 24 anos, e Davi Gonçalves Junior, de 21, mortos durante uma operação policial em fevereiro de 2024. Conforme destacado na publicação, o Ministério Público denunciou policiais envolvidos após a investigação apontar tentativas de impedir o registro completo da ocorrência.

Outro episódio lembrado é o da jovem Thawanna da Silva Salmázio, morta em abril de 2026, na Zona Leste de São Paulo. Segundo Alencar, a policial responsável pelo disparo estava com a câmera corporal desligada no momento da ocorrência.

A publicação também chama atenção para os índices de violência contra a mulher no estado. Citando dados divulgados neste ano, o deputado afirma que São Paulo registra um feminicídio a cada 25 horas, defendendo que políticas públicas de proteção às mulheres devem caminhar ao lado de mecanismos que ampliem a transparência das ações policiais.

Ao final, Alencar responsabiliza a atual condução da segurança pública estadual pelos indicadores apresentados e volta a defender o uso permanente das câmeras corporais como instrumento de proteção tanto para a população quanto para os próprios policiais.

“Por que a Polícia de São Paulo não quer usar câmeras corporais?”, questiona o deputado ao abrir a publicação, defendendo que a gravação contínua é uma ferramenta essencial para garantir transparência, apurar responsabilidades e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública.

Para o gestor de saúde pública Humberto Tobé, a transparência nas ações de segurança pública também tem reflexos na saúde da população. “A violência impacta diretamente a saúde pública, seja pelos atendimentos de urgência, pelas sequelas físicas ou pelos traumas emocionais que permanecem por muito tempo. Instrumentos que ampliem a transparência e permitam a correta apuração dos fatos fortalecem a confiança da população nas instituições e contribuem para um ambiente mais seguro e saudável para todos”, afirmou Tobé.

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