Decisão vai além da tecnologia e envolve mudança de processos, governança e modelo de gestão em grandes organizações
Em um ambiente de negócios marcado por alta competitividade, pressão por eficiência e necessidade de decisões cada vez mais rápidas, grandes empresas têm revisado sua infraestrutura tecnológica como parte central de sua estratégia. A digitalização deixou de ser apenas um movimento de modernização e passou a representar condição de sobrevivência em mercados globais.
A incorporação da Inteligência Artificial (IA) tornou-se um dos principais vetores dessa transformação. Dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), divulgada pelo IBGE em setembro de 2025, mostram que, entre empresas industriais com 100 ou mais pessoas, o uso de IA saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, um crescimento de 163% em apenas dois anos. O avanço revela não apenas tendência tecnológica, mas uma pressão concreta por automação, ganho de escala e decisões baseadas em dados.
Nesse cenário, a capacidade de estruturar, integrar e governar informações torna-se pré-requisito para que a IA gere valor real. Sem base de dados consistente e processos padronizados, iniciativas de automação tendem a produzir ganhos limitados ou riscos operacionais.
A crescente complexidade dos mercados, combinada à pressão por decisões cada vez mais rápidas e baseadas em dados, tem levado grandes companhias a priorizar plataformas integradas de gestão empresarial. Nesse contexto, sistemas como o SAP S/4HANA tornaram-se peça central nas estratégias de transformação operacional e digital de corporações globais.
Estima-se que mais de 75% do PIB global transita por sistemas baseados em SAP, enquanto mais de 70% das grandes corporações adotam soluções de planejamento de recursos empresariais para integrar dados financeiros, operacionais e estratégicos em uma única plataforma. A consolidação de informações em tempo real deixou de ser apenas um diferencial tecnológico e passou a ocupar papel central nas decisões de negócio. A centralização de dados é apontada como um dos principais motores de eficiência, capaz de reduzir custos, simplificar processos e ampliar a agilidade das empresas diante de cenários econômicos cada vez mais voláteis.
Companhias dos setores de manufatura, varejo, bens de consumo e tecnologia lideram esse movimento. Grupos como Embraer, Walmart e Nestlé adotam o SAP como base para integrar cadeias de suprimentos, gestão financeira e recursos humanos, com o objetivo de alinhar execução operacional às diretrizes estratégicas. A decisão, segundo especialistas, não se limita a uma atualização tecnológica, mas envolve uma revisão mais ampla de processos e modelos de gestão.
Para Roberto Medeiros, CEO da EPI-USE Brasil, consultoria especializada em soluções tecnológicas, a adoção dessas plataformas responde a uma necessidade fundamental das grandes organizações. “Não se trata apenas de substituir sistemas antigos. O movimento reflete a busca por padronização de processos e por uma linguagem única de dados entre as áreas da companhia. Isso reduz ineficiências, diminui retrabalho e amplia a qualidade das decisões”, afirma.
Na avaliação do executivo, projetos de migração para ambientes como o SAP S/4HANA tendem a produzir efeitos que extrapolam a área de tecnologia. “Ao investir em uma plataforma integrada, a empresa busca ganhar agilidade para responder a mudanças de mercado, mantendo padrões de governança, compliance e controle interno. O impacto é organizacional e estratégico”, diz.
Do ponto de vista operacional, empresas que avançam nesse processo relatam ganhos relevantes em produtividade e previsibilidade. A integração entre finanças, logística, vendas e recursos humanos permite reduzir prazos de consolidação de informações, melhorar a acurácia de indicadores e ampliar o uso de análises avançadas para planejamento e tomada de decisão.
Embora a adoção de um ERP de grande porte envolva investimentos elevados e reestruturação de processos internos, a migração para plataformas mais modernas também amplia a capacidade de escalar operações e incorporar inovações tecnológicas de forma contínua. Arquiteturas em memória e recursos analíticos em tempo real ganham relevância em um ambiente de negócios marcado por volatilidade e pressão por eficiência.
No Brasil, o movimento acompanha a tendência observada em mercados mais maduros. Grandes empresas têm acelerado projetos de modernização de seus sistemas de gestão como parte de uma agenda mais ampla de competitividade, com foco em integração de processos, governança e uso estratégico de dados.