Inteligência artificial na correção de atividades escolares gera debate sobre papel dos professores em São Paulo
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Uso de IA na educação estadual reacende discussão sobre os limites da tecnologia em avaliações e a importância da mediação humana no processo de aprendizagem

Até que ponto a inteligência artificial é realmente “inteligente” quando precisa interpretar o raciocínio de um aluno?

A adoção de ferramentas de inteligência artificial na educação pública de São Paulo voltou a colocar no centro do debate a relação entre tecnologia e trabalho docente. A rede estadual já utiliza recursos de IA em algumas ferramentas educacionais. Na Redação Paulista, por exemplo, a tecnologia é empregada como apoio no processo de avaliação, enquanto outras plataformas oferecem correção automatizada e recursos adaptativos.

O tema ganhou repercussão após notícia sobre a utilização de inteligência artificial para correção de deveres de casa dos estudantes. Para o deputado estadual Emídio de Souza (PT), a tecnologia pode contribuir com a educação, mas não deve ocupar o espaço de análise e acompanhamento que cabe aos professores.

“Governo de São Paulo adota inteligência artificial para corrigir dever de casa dos alunos. Essa é a manchete do jornal O Globo. É impressionante o desejo do Tarcísio e desse seu secretário de educação, Renato Federer, de substituir o professor, de achar que a educação pode ser feita apenas pela máquina.

Primeiro ele colocou as tais plataformas digitais para substituir o professor na aplicação do conteúdo. Agora ele quer que as máquinas também corrijam provas, corrijam trabalhos, lições de casa e assim por diante. Tarcísio, você precisa entender que educação não se faz sem professor.

A tecnologia deve servir para ajudar o professor, não para substituir o professor. O algoritmo só sabe interpretar o sim e o não. Ele não sabe captar qual é a intenção do aluno com a resposta que ele deu.

É preciso sensibilidade do professor para isso. Não pense que a tecnologia substituir professor. Não substituirá Tarcísio. Acorda enquanto é tempo”, afirmou Emídio de Souza.

IA como ferramenta, não como substituta

A discussão vai além de ser favorável ou contrário à inteligência artificial. A própria Secretaria da Educação de São Paulo defende, em documento sobre educação digital, o uso da IA com “intencionalidade didática” e destaca a formação dos professores como parte desse processo.

Sistemas de IA podem acelerar correções, identificar padrões de respostas, fornecer feedback inicial e auxiliar professores a acompanhar grandes volumes de atividades. Ao mesmo tempo, o uso dessas ferramentas levanta questões sobre interpretação de respostas abertas, contexto, critérios pedagógicos e a capacidade de compreender diferentes formas de raciocínio apresentadas pelos estudantes.

É justamente nesse ponto que a discussão sobre o quanto a inteligência artificial pode ser “inteligente” ganha outra dimensão. Na educação, eficiência tecnológica e capacidade de processamento não necessariamente substituem a análise pedagógica, a experiência e a percepção humana de quem acompanha diariamente o desenvolvimento de cada estudante.

O desafio, portanto, passa a ser encontrar um equilíbrio: aproveitar a capacidade da inteligência artificial para auxiliar o trabalho educacional, sem transformar uma ferramenta tecnológica em substituta da relação entre professor e aluno.

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