Transformar pesquisa em soluções para desafios reais da indústria é uma das frentes que vêm impulsionando a atuação do Instituto Atlântico em Inteligência Artificial. Entre os dias 8 e 11 de setembro, três estudos desenvolvidos pela instituição foram apresentados no 40º Simpósio Brasileiro de Engenharia de Software (SBES 2026), no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (IME-USP), em São Paulo.
Os trabalhos exploram aplicações de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Engenharia de Software em temas como manutenção preditiva, uso de grandes modelos de linguagem (LLMs) na especificação de requisitos e qualidade de pipelines analíticos industriais.
As três pesquisas foram desenvolvidas a partir do projeto Plataforma de Análise Avançada de Dados de Operação e Manutenção da UHE Foz do Chapecó, e refletem a estratégia do Atlântico de aproximar pesquisa aplicada e demandas concretas do setor produtivo.
“O resultado é especialmente relevante porque o projeto previa a submissão de um artigo científico e tivemos três trabalhos aceitos. São pesquisas que partem de desafios reais e mostram como podemos aplicar IA, Ciência de Dados e Engenharia de Software para desenvolver novas abordagens e gerar conhecimento para a indústria”, afirma o Diretor de Inovação e Novos Negócios do Atlântico, Luiz Alves.
Desafios reais
O artigo “Beyond Functional Testing: QA Challenges in Industrial Analytical Pipelines” aborda os desafios da Garantia da Qualidade (QA) em projetos industriais de Ciência de Dados, mostrando como as práticas de validação podem evoluir para análises mais alinhadas ao contexto e às necessidades do negócio.
Já “Using LLMs for Requirements Specification in Data Science Projects: An Industrial Experience Report” apresenta uma experiência de uso de LLMs para apoiar a especificação de requisitos em projetos de Ciência de Dados no setor de energia, preservando a participação humana e a governança dos dados.
O terceiro estudo, “An Architecture for Explanation-Oriented Agents in Predictive Maintenance Systems”, trata da explicabilidade da Inteligência Artificial em sistemas de manutenção preditiva. A pesquisa propõe uma arquitetura para tornar mais compreensíveis aos operadores as decisões e recomendações geradas por modelos de IA.
Para Sara Guimarães, Analista de Qualidade de Software do Atlântico, ver esse resultado reconhecido no SBES 2026 é muito gratificante. “Essa conquista mostra que a experiência prática do nosso time, em contexto industrial real, tem valor científico e inspira outras equipes de QA”, comemora.
Pesquisa aplicada como estratégia
A produção científica faz parte da estratégia do Instituto Atlântico de fortalecer sua atuação como Centro de Excelência em Inteligência Artificial, conectando pesquisa, desenvolvimento tecnológico e necessidades do mercado.
No biênio 2024-2025, o Atlântico submeteu 51 artigos científicos, passando de 21 trabalhos em 2024 para 30 em 2025, crescimento de 43%. No período, foram publicados 27 artigos. A produção técnico-científica, que considera também dissertações, teses, patentes e outros produtos de pesquisa, avançou de 17 registros em 2024 para 28 em 2025, alta de 65%.
“Nesse período, também depositamos nossa primeira patente, um passo importante na transformação da pesquisa em ativos tecnológicos. Ao longo de 25 anos, já desenvolvemos mais de 1.300 projetos e seguimos investindo na conexão entre ciência, tecnologia e inovação para gerar soluções com impacto para empresas e para a sociedade”, conclui Luiz Alves.
Produtividade e o impacto da IA no desenvolvimento
Além dos projetos voltados ao mercado, o Atlântico também fomenta a produção científica a partir de programas internos de inovação, como a Jornada P&D. Fruto dessa iniciativa, o artigo “More Productive, but at What Cost? Understanding How GenAI Shapes Developers’ Work Across the SPACE Dimensions” investiga como o uso diário de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa afeta a produtividade e a rotina dos desenvolvedores de software no Brasil.
Para Murilo Coelho, Product Owner no Atlântico e um dos autores dos estudos, o trabalho traduz a importância de incentivar a investigação contínua dentro dos próprios times: “Integrar as atividades práticas à pesquisa acadêmica é essencial para validar nossos processos e dar respaldo técnico às metodologias que construímos internamente”.