O período de férias escolares e recessos de meio de ano acende um alerta para a segurança digital das empresas. Com equipes reduzidas, maior uso de acessos remotos e uma rotina operacional mais descentralizada, organizações que lidam com grandes volumes de dados passam a rever suas estratégias de proteção de informações críticas e infraestrutura tecnológica.
Nesse cenário, empresas como a Bemol, a The Bunker e instituições como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) passaram a investir em processamento local de dados por meio da workstation de inteligência artificial Acer Veriton GN100. O equipamento permite executar aplicações de IA, análises avançadas e processamento de grandes volumes de dados dentro da própria infraestrutura da organização, reduzindo a dependência exclusiva de ambientes em nuvem para informações consideradas estratégicas.
O movimento acompanha uma mudança na forma como as empresas enxergam suas arquiteturas tecnológicas. Embora a nuvem continue sendo essencial para escalabilidade e flexibilidade, cresce a adoção de modelos híbridos, nos quais dados críticos, propriedade intelectual e projetos de inteligência artificial permanecem sob controle direto das organizações, enquanto outras aplicações continuam hospedadas em ambientes externos.
Um estudo recente da Checklist Research mostra que incidentes cibernéticos relacionados a infraestruturas de nuvem mal configuradas crescem 28% no mundo, reforçando a necessidade de políticas mais robustas de governança e proteção de dados. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também ampliou a responsabilidade das empresas sobre o tratamento e a segurança das informações pessoais.
Na avaliação de Willander Buraslan, Especialista de Projetos da Bemol, o avanço da inteligência artificial torna essa discussão ainda mais estratégica. À medida que empresas utilizam IA para prever demanda, otimizar operações, desenvolver novos produtos e personalizar o relacionamento com clientes, cresce também a necessidade de definir quais dados podem permanecer em ambientes públicos e quais devem ser processados localmente.
“A nuvem pública continua sendo essencial pela escalabilidade e flexibilidade que oferece. Mas, conforme a IA passa a fazer parte do dia a dia das empresas, também cresce a importância de discutir onde os dados mais estratégicos devem estar. O risco não está apenas em armazenar informações na nuvem, mas na governança de todo o ecossistema ao redor, como controles de acesso, permissões e integrações. Em muitos casos, especialmente quando falamos de propriedade intelectual, dados sensíveis ou modelos de IA, manter esse processamento em infraestrutura própria pode oferecer uma camada extra de segurança, controle e soberania sobre as informações”, explica.
A preocupação acompanha um cenário global de aumento da sofisticação dos ataques digitais. Relatórios internacionais mostram que violações de dados deixaram de representar apenas um problema tecnológico para se tornarem riscos financeiros, reputacionais e regulatórios para organizações de todos os setores.
Segundo a IBM, o custo médio global de uma violação de dados já chega a US$ 4,4 milhões. A Fortinet registrou 122 bilhões de tentativas de exploração digital no último ano, enquanto o Fórum Econômico Mundial (WEF) aponta que 54% das grandes empresas consideram a cadeia de fornecedores um dos principais desafios para sua resiliência cibernética.
Na prática, organizações que trabalham com informações altamente sensíveis já percebem benefícios na adoção dessa arquitetura. A The Bunker, especializada em soluções tecnológicas para impacto social, utiliza a infraestrutura para desenvolver modelos próprios de inteligência artificial sem depender exclusivamente de provedores internacionais de nuvem.
“Para empresas que lidam com dados sensíveis de saúde e vulnerabilidade social, a dependência exclusiva de nuvens globais traz riscos de conformidade e custos imprevisíveis. Ao internalizarmos essa capacidade com um hardware dedicado, passamos a processar tudo de forma proprietária, o que também gerou um impacto motivacional imenso no nosso time técnico por desenvolver inovação de ponta sem precisar sair da Amazônia”, afirma Rafael Rosa, CEO da The Bunker.
Ao combinar hardware local de alto desempenho, políticas de governança digital e estratégias de segurança da informação, empresas conseguem ampliar sua capacidade de proteção justamente em períodos mais sensíveis, como férias e recessos. Nesse cenário, decidir onde os dados são processados deixa de ser apenas uma escolha de infraestrutura e passa a integrar a estratégia de resiliência, inovação e continuidade dos negócios.