Em meio à proliferação de imagens automáticas geradas por Inteligência Artificial, Quentin Lewis opta pelo caminho do trabalho artesanal. Em “Caesar – The Ides of March”, o diretor do Canal Demais nega soluções imediatas e escolhe criar cada elemento do universo virtual com as próprias mãos, preservando a identidade de sua visão artística.
A trama é uma adaptação de Shakespeare ambientada em uma Roma distópica, abordando temas como vigilância, abuso de poder e crise democrática.
Mesmo utilizando ferramentas digitais avançadas na Unreal Engine, o processo de criação é minucioso. Lewis enxerga a tecnologia como um suporte para o artista. “A construção manual de um cenário, a escolha da luz, o tempo dedicado ao enquadramento e à composição, tudo isso faz parte do prazer de criar. É esse processo humano, imperfeito e sensível, que dá identidade ao projeto”, explica o diretor. “Mesmo que o público não consiga explicar isso de forma racional, existe uma diferença sutil na textura emocional da obra”.
Para o cineasta, o ambiente 3D é utilizado para detalhar cada plano com precisão, ajustando elementos visuais com total autonomia sem a necessidade de locações físicas.
A estética da imperfeição
Ao analisar o papel da automação no cinema, Lewis valoriza o traço autoral frente à perfeição gerada por máquinas: “A melhor comparação é entre uma fotografia de paisagem nítida e uma pintura de Turner. As duas podem ser belas, mas a pintura carrega a marca do gesto humano, da imperfeição, da interpretação.”
A produção exigiu superação técnica contínua na calibração de movimentos e expressões faciais sem o uso de filtros automáticos.
Um manifesto para o Futuro
“Caesar – The Ides of March” demonstra que o acesso a tecnologias modernas permite ao criador independente manter o comando total de sua narrativa, entregando ao público uma obra marcada pela sensibilidade humana.